síndrome do Túnel do Carpo

..........Na face palmar do punho , existe uma passagem estreita denominada túnel do carpo, através da qual passam os tendões que realizam a flexão dos dedos, bem como o chamado nervo mediano, que é a estrutura responsável pela sensibilidade dos dedos polegar, indicador, médio e metade do anular, e pelo controle de vários músculos do polegar.

..........Na ilustração, observa-se a disposição das estruturas no túnel, cujo assoalho é formado pelos ossos do carpo e cujo teto é formado pelo retináculo dos flexores (antigamente denominado ligamento transverso do carpo). A ilustração mostra ainda que o nervo que fornece a sensibilidade a uma parte do dedo anular e ao dedo mínimo (nervo ulnar), passa por fora do túnel do carpo.

Síndrome do tunel do carpo

O QUE É?

..........A síndrome do túnel do carpo é uma condição causada pelo aumento da pressão sobre um nervo (o nervo mediano ), no punho.
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SINTOMAS

..........A doença causa, tipicamente, dor, sensação de dormência ou formigamento na mão (“acordo à noite com as mãos formigando”, “ao segurar algo com os dedos fechados a mão começa a formigar”), além de diminuição progressiva da sensibilidade (“tenho dificuldade para sentir objetos”, “deixo objetos caírem sem perceber”). Os sintomas são percebidos inicialmente à noite ou ao despertar. Numa fase tardia, ocorre atrofia dos músculos da base do polegar (a chamada musculatura tenar), o que causa limitação grave aos movimentos do polegar, e por conseguinte, às funções da mão.

..........O sexo feminino é acometido com mais frequência que o masculino, na proporção de 4:1. A idade de surgimento dos sintomas é geralmente entre 40 e 60 anos. Ocorre frequentemente um quadro de síndrome do túnel do carpo durante a gravidez, que na maioria das vezes regride espontaneamente após o parto.

CAUSAS E FATORES PREDISPONENTES

..........Não se conhece a causa exata da doença, porém sabe-se que diversas condições aumentam o risco de um indivíduo vir a desenvolvê-la:

.........Doenças endócrinas - diabete, hipotireoidismo, etc
.........Doenças reumáticas- artrite reumatóide, gota, lúpus, etc
.........Fatores mecânicos- sequela de fraturas do punho, cistos, obesidade, etc
.........Polineuropatias- alcoolismo, etc


..........Vários trabalhos científicos analisaram a possível correlação com as atividades profissionais , e concluíram que não há relação entre a STC e o trabalho. Entre as conclusões, transcrevemos:
“Não há evidências científicas suficientes para associação de causalidade entre atividades profissionais e a STC”.
“A evidência científica atual é inadequada para implicar fatores ocupacionais na STC.” (referências 1,2,3,4,5)

DIAGNÓSTICO
..........O diagnóstico da doença é clínico, ou seja, baseia-se na análise da história apresentada pelo paciente e no exame físico. Ocasionalmente, podem ser necessários exames complementares, dentre os quais a mais eficaz é a eletroneuromiografia.

TRATAMENTO

..........Algumas modalidades de tratamento não-cirúrgico vem sendo testadas ao longo dos anos,com as seguintes conclusões:
..........Infiltração e órteses (talas): podem ser eficazes em alguns casos muito iniciais e com sintomas leves; nos demais, o efeito, quando há, é paliativo (somente temporário ) Vitamina B, ioga, fisioterapia, antiinflamatórios , Botox, US, laser: ineficazes (referências 6,7,8).
..........No tratamento da síndrome do túnel do carpo, busca-se diminuir a pressão sobre o nervo mediano, de modo que a transmissão do impulso elétrico através do mesmo volte a ocorrer normalmente.
A única maneira de obter essa descompressão é seccionar o ligamento que forma o teto do túnel e está comprimindo o nervo.
..........Portanto, até a presente data (2011), é consenso em toda a literatura médica mundial que o tratamento definitivo da síndrome do túnel do carpo é o cirúrgico. As incisões variam conforme a preferência do cirurgião, mas todas visam ao mesmo objetivo. Nossa preferência é pela técnica descrita a seguir:

.........Sob anestesia local (que é aplicada após sedação, de modo que não há desconforto para o paciente) é feita pequena incisão na palma da mão, permitindo a localização e a secção do ligamento que comprimia o nervo mediano. A ferida é suturada e protegida por curativo, e o paciente recebe alta no mesmo dia, voltando a exercer as atividades habituais de imediato, com o cuidado de proteger a ferida até a retirada dos pontos. Portanto , atividades de trabalho e de vida diária que não envolvam risco de contaminação da ferida podem ser realizadas, porém as atividades que apresentem risco para a ferida operatória devem ser evitadas.

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Referências
1-Associação Britânica de Ortopedia(1992)
2-Sociedade Americana de Cirurgia da Mão(1995)
3-Hadler, JHandSurg 1997:22A(1)19-29
4-Stevens- Neurology 2001:56(11),1568-70
5-Ring- JHandSurg 2008:33A,525-38
6-Neurology 2005 ,64: 2074-78,
7-JAMA 2002 ,288:1245-51
8-Clinical Rehabilitation 2007 ,21(4)